Perfil de utilização de fontes de carbono de isolados Virulentos e Hipovirulentos de Chryphonecria parasitica
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resumo
O fungo Cryphonectria parasitica responsável pela doença do cancro do castanheiro é muito agressivo, levando à
morte das árvores hospedeiras. Cryphonectria hypovirus 1 (CHV1) infeta C. parasitica e reduz a virulência do fungo
(hipovirulência) alterando a sua morfologia em meio de cultura (pigmentação e capacidade de esporulação).
O controlo biológico por hipovirulência tem sido usado na Europa, desde os anos 80 e tem demonstrando
bons resultados no tratamento da doença, assim como acontece também em Portugal. Variações genéticas e
fenotípicas de isolados hipovirulentos podem afetar o seu desempenho no controlo do cancro do castanheiro,
pelo que a seleção de isolados passa pela caraterização biológica, incluindo a sua capacidade de esporulação.
A avaliação do perfil de utilização de fontes de carbono dos isolados hipovirulentos poderá contribuir para uma
melhor compreensão do seu metabolismo, complementando assim a sua caracterização biológica. O perfil
metabólico de isolados portugueses virulentos e hipovirulentos de C. parasitica, foi avaliado em microplacas
Biolog FF. Culturas puras de cada isolado foram cultivadas em meio PDA a 25 °C na ausência de luz durante 7
dias. Os mesmos isolados foram expostos à luz do laboratório para indução da formação de esporos durante 5
dias. As estirpes hipovirulentas não formam esporos em condições de luz natural, pelo que foi induzida a sua
produção. Os isolados hipovirulentos inoculados em placas de PDA (7 dias a 25º) foram colocadas numa câmara
de cultura durante 15 dias a 25ºC, com fotoperíodo de 18 horas e 10.000 lux. Suspensões de micélio e de conídios
induzidos pela luz a 10.000 lux foram utilizadas para inoculação de Microplacas Biolog FF e incubadas a 25ºC
durante 7 dias na ausência de luz. A densidade óptica a 490 nm (atividade mitocondrial) foi determinada usando
um leitor de microplacas Biolog e o equipamento ASYS UVM 340 (Hitech GmbH) para cada placa, em intervalos
de 24 h durante 7 dias. Verificou-se que os hidratos de carbono, aminoácidos, aminas/amidos, polímeros e
outros compostos foram mais consumidos pelos isolados hipovirulentos quando se utilizou suspensões de
micélio obtido na ausência de luz, o que sugere uma adaptação ecológica e estabelecimento destes isolados
(CHV1) após a sua introdução em castanheiros doentes no campo. Contrariamente, o perfil metabólico obtido
a partir de esporos revelou maior atividade dos isolados virulentos na utilização dos compostos testados.
Este estudo permitirá relacionar os perfis metabólicos obtidos a partir de micélio e de esporos das estirpes
hipovirulentas com as suas características biológicas, em avaliação no âmbito do Projeto BioChestnut.